Morte...

Ontem morreu a Jacinta Pepe, mãe de uma amiga. Fui ao funeral e ao enterro. Ouvi as tretas do costume que a Igreja insiste em nos ensinar... 'o Senhor é o meu pastor, nada me faltará'.
Estou angustiada e triste, felizmente ainda tenho a tal da esperança de que fala o poeta.
Hoje há mais uma estrela no céu..

Esperança

Canto,
Mas o meu canto é triste.
Não sou capaz de nehum outro, agora.
Em cada verso chora uma ilusão,
Tolhida na amplidão,
Que lhe sonhei.
Felizmente que sei
Cantar sem pressa,
Que sei recomeçar,
Que sei que há uma promessa,
No acto de cantar.

Miguel Torga 'Antologia Poética'

5 de Agosto, sexta-feira.






A minha vizinha sempre me diz: 'ó guida você não pode dizer as verdades todas. Além de não acreditarem ainda acham que você é maluca....!'






Bom...começo a pensar que sim. Ela tem razão. E pronto ando a tomar prozac há 3 meses. Estou muito melhor.






Modela-nos o humor este comprimidito.






Eu já não me aguentava ultimamente.

Quinta-Feira, Agosto de um ano qualquer. Comi na 'Jakina', pah 17,60€. Convidei o puto que é porreiro. Foi caro o jantar.

Havia um pedaço de carne que estava crú. Desta vez calhou ao míudo que me acompanhava.

veio o pai, uns amigos e mais um miúdo que conheço há tantos anos. Está apaixonado o poeta. O pai, orgulhosamente, disse-lhe: - 'queres beber alguma coisa?' o puto disse: - 'não, tenho que ir jantar'.

Durante quase todo o jantar, o meu e o do primeiro puto, percebem?...o segundo puto só falou na Vera. Tem uns olhos bonitos a Vera. Canta o fado e tem 17 anos. Poucos para o entender.

O puto, que está apaixonado, é poeta decimeiro.

Disse-lhe: - posso fazer uma crítica ZJ? Podes! É muita? perguntou ele. Não, é uma sugestão apenas se me permites..

Então lá lhe disse: - 'porque tens que dar uma entoação doentia ás décimas?'

Lá me explicaram que quem não dá a tal da entoação não é poeta decimeiro e ainda corre o risco de ser vaiado.

Senhora da Consolação é o mote...Igrejinha é a aldeia. primeiro fim de semana de Setembro é a comemoração. A Senhora da Consolação é a padroeira aqui da aldeia e, uma vez por ano há-de haver Festa Rija. Porra que calha sempre no fim de semana da Festa do Avante. Assisti apenas uma vez. Tinha cá vindo o Marco Paulo e pagava-se 300 paus, se a memória não me trai. Caríssimooooooooooo.

Nessa noite matei um gato branco enorme. Provavelmente por isso, perdi não sei quantos anos da minha vida..porque dizem que matar um gato é a foda completa.

Mas a foda completa é mesmo se morre o poeta...quem fica depois para contar a história? hum?

E o que é que tudo isto tem que ver com ir jantar á Jakina ou ser 4 de Agosto...?

O puto comeu e bazou. O poeta enamorado deu um kiss na Vera e corou muito. Paguei a conta e bazei. Vim beber café ao bar da frente como faço sempre.

Impossível não pensar em ti, e, em ti, e em ti..

Últimamente penso em três ti's ao mesmo tempo. Acham normal? Todos ao mesmo tempo. Cada um tem o seu charme. Todos os ti's são diferentes. Eu é que sou só uma.



Acabei de saber que a Emília partiu. A vida tem destas merdas. Não soube a tempo. Fiquei triste por não ter dado o tal abraço á minha amiga. Hoje parececeu-me ver o céu mais brilhante. Provavelmente são os meus olhos, não sei. Não há palavras para a morte.
Recebe um abraço enorme de solidariedade F.

Dia Internacional da Mulher

Não aprecio especialmente esta data, mas como a minha mãe até faz anos, parabéns mãe e mulheres do meu país.
Vale a pena recordar e evocar um texto lindíssimo de Maria Velho da Costa, chamado Revolução e Mulheres.http://www.youtube.com/watch?v=zwfgZImfSU4, dito duma forma brilhante por Mário Viegas com a participação de Lia Gama, e que tanto me emociona.



Um dia, quase em fim de tarde, tinha esquecido a caixa em cima da mesa. A casa enchera-se de pó. Pelas janelas de vidros enormes, já não entrava o sol. A vista para o castelo era agora um prédio de sete andares com tela preta no telhado. O rio, que se avista ao longe pela janela da porta da casa, já não tinha brilho. A água parecia não correr.


As varinas venderam todas as sardinhas e as canastras tornaram-se bibelôts em tamanho minúsculo. Já não há pregões: 'quem é que quer ver a minha lula? a minha sardinha é linda!!!!'


As gaivotas deixaram de nicar naquelas janelas. Até os pombos doentes e estúpidos deixaram de comer os restos de milho que os vizinhos teimosamente lhes atiravam.


No largo, o cauteleiro que era verde, pintou-se agora de negro. A aguarela que pintava o bairro era agora um tapete de uma qualquer loja dos trezentos.


A cidade, linda e amiga era agora uma colcha de renda amarelada e queimada pelo tempo.


Éramos agora um só.


No tempo em que festejávamos qualquer data, ou mesmo sem data, éramos dois.


Depois o meu namorado apaixonou-se e foi-se embora. A seguir veio o mau tempo. O inverno cobriu toda a cidade e levou-me com ele, para nunca mais voltar, ou então não...mas isso, só viria a saber muito tempo depois.


E a mensagem que nunca mais chega. Estava habituada a uma mensagem logo a passar as nove. Depois, seguiam-se as horas infinitas ao telefone, quase sempre com hora marcada, sempre com controle, muitas vezes com medo.


A vida não é justa para os amantes.
(continua...)

cirurgia de obesidade e custos

Tenho lido com alguma frequência, dúvidas de potenciais portadores de banda gástrica ou bypass gástrico, relativamente aos custos das cirurgias.
Se estas forem efectuadas em Hospitais privados, obviamente tudo se paga, até um agrafe. Mas, nos hospitais públicos através do Serviço Nacional de Saúde é gratuito. Só temos que pedir ao nosso médico de família que nos encaminhe para uma consulta de obesidade. Ele fá-lo internamente e, o hospital distrital chama-nos para a primeira consulta. No meu caso específico, demorou cerca de um mês e meio até chegar a data da primeira consulta que aconteceu em Julho de 2009.

Depois, seguem-se os exames pedidos, incluindo endoscopia (blhaccc) e consulta com o psicólogo e, se tudo estiver bem, é marcada a cirurgia. Agora... o operador diz e, bem, que não se está a tratar da obesidade recente, está a tratar-se da obesidade de 20, 30 anos, daí as listas de espera serem, em muitos casos, longas. A minha espera foi desde Julho/09 a Fevereiro/10, já contando com as épocas festivas e greve dos enfermeiros, etc. que sempre ajudam a atrasar um pouco mais. No caso da banda gástrica a lista é menor que no bypass que é uma cirurgia mais recente, e mais demorada. O médico deu-me a escolher entre uma e outra, frisando sempre que com ambas se perde peso de igual forma, só que com a BG o processo é mais lento mas a eficácia é igual. Contudo o Bypass é mais perigoso digamos e, irreversível. Ou seja, disse-me o operador, se não estou em erro, que a cirurgia cumpre o seu objectivo, quando conseguimos perder cerca de 30% do peso ideal. Depois se queremos mais e mais ou se conseguimos já é outra questão.

A Obesidade é uma doença crónica, mas tem tratamento.

De maneiras que somos nós que temos que dar o primeiro passo.

Força gente!



No dia seguinte cheirava a lama pois.
Lá nos encontramos de novo com muitas dificuldades.
Também desta vez total ausência de 'clics'.
Porra.

Cheirava a terra molhada.
Olhei para ti na certeza que seria apenas um olá.
Estava com medo e ansiosa e de novo com medo.
Olhaste para mim da mesma forma e não houve nenhum 'clic'.
Porra.

12º dia...

Passaram 12 dias da cirurgia. Continua a dieta líquida. Hoje fui tirar os pontos (quase todos) e disseram-me que estou mais magra yupiiiiii. Soube muito bem ouvir.
Parabéns para mim.



Esta noite vou beber licôr.


Espero por ti, com o jantar já pronto. Terei espalhado velas pela sala e, como escolhemos um dia de chuva e frio, acendo a lareira.


No ar aquela música que escolheste para nós lembras? Combinámos ás 20:00 e já são 21:00 e tu não chegas. Tinhas prometido que não te atrazavas. Tinhas prometido que mal chegasses me beijarias e levar-me-ías para a cama e só depois jantaríamos. Tinhas prometido que não aguentavas de saudade. Espero por ti ansiosa com um presente que escolhi para ti como se eu mesma o tivesse bordado.


É que sabes meu amor estou farta de promessas. Estou cansada de te sonhar. São dez horas e nem um telefonema. A comida já esfriou e a lareira vai perdendo a côr. Apaguei as velas. Deitei fora a tua comida favorita. Cuspi os teus beijos. Despi-me do teu cheiro que havia sonhado. Bebi o licôr. Vesti-me e sai para a rua á procura de afectos. Quando chegares leva o cão á rua e fode-te.

É este o site a que me refiro

Power of Change

Hoje sinto-me assim. Passou uma semana desde a cirurgia. Sete dias de dieta líquida e um de jejum total. Já faço parte dum site chamado power change cujo link deixarei mais tarde porque me esqueci de adicionar nos favoritos.
Acho que passei a fumar mais.
Estou com baixa e a ansiedade associada á inactividade deixam-me sem alternativa. Porque uma pessoa já não come e não fo*e só lhe resta entregar-se á inércia que traz vícios e, como sou propensa a eles, também tinha que ser fumadora.
Aqui em casa tenho o apoio da minha mãe e de uma amiga que tem sido imprescindível em todo este processo. Só não me carrega no colo, prática aliás impossível porque pareço mais ou menos um golfinho arraçado de cachalote.
Bem, olhei para o canto da parede da sala e pareceu-me ver um cogumelo a nascer. Um ou dois. Na volta são visões, depois vejo melhor.
Queria dizer-te obrigada e nem sei bem como. A vida tratou de nos afastar os afectos. Haverá um dia em que saberás só pelo meu olhar.
Será que vou viver até aos 50 anos só para fazer um cadáver razoável? Hum?
E com esta questão altamente filosófica me vou.