Foi dia de procissão



Ainda é quase domingo.
Como odeio os domingos.
Hoje foi dia de procissão.
Bem...foi cancelada.
O São Pedro estava de costas para os devotos do Senhor Jesus dos Passos.
Fui ás compras.
O trivial.
Quase nada de comida.
Álcool na maioria.
Well... a vida pode ter outras côres quando temperada com gin.
Já tive melhor vista.
Os olhos continuam lindos. Rasgados e irónicos como convém.
Ou então não.
No supermercado encontrei aquele sacana que me vem perseguindo faz tempo.
Sacana no olhar. Sacana no andar...hummmm.
Havia pedido um café enquanto me preparava para tirar tabaco com as 300 moedas que tinha no talego (Sim! Eu uso talego!).
A menina do bar olhava atónita para o filme que dava na tv.
Tive que lhe fazer 'sinal' várias vezes para voltar a accionar o dispositivo dos maiores de 18 anos que existe nas máquinas dispensadoras de tabaco.
Quando de repente olho para traz e lá estava o sacana.
Ao balcão!
Olhei e cumprimentou-me. Cumprimentei de volta.
Aceita 1 café? perguntou.
Aceito claro. Esse que está 'aí' é o meu.
Enquanto metia moedas na máquina, o sacana pagou o café. Bebemos, cada um o seu, é bom que se note.
Conversa de circunstância e, disse-lhe que ía fazer umas compras.
Respondeu-me que também ía.
Caminhamos até ao lado do pão tão a ver?
Até que ele me disse: -
Outro dia venho contar o resto....



O vôo da Águia



'A águia, a ave que possui a maior longevidade da espécie, chega a viver 70 anos.
Para chegar a essa idade, aos 40 anos, tem que tomar uma séria decisão.
Aos 40 anos, está com as unhas compridas e flexíveis, não consegue mais agarrar as suas presas das quais se alimenta. O bico alongado e pontiagudo curva-se, apontando contra o peito.
As asas estão envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, e voar já é muito difícil!
Então, a águia só tem duas alternativas: morrer... ou ... enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias.
Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e recolher-se num ninho próximo a uma parede onde não precise mais voar.
Depois de encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico numa parede até conseguir arrancá-lo, sem contar a dor que terá que suportar.
Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o qual vai depois arrancar as suas velhas unhas. Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. E só após cinco meses sai para o famoso vôo de renovação e para viver então, mais 30 anos.
Na nossa vida, muitas vezes temos de nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação.
Para que continuemos a voar um vôo de vitória, devemos desprender-nos de lembranças, costumes, e outras tradições que nos causam dor.
Somente livres do peso do passado, poderemos aproveitar o resultado valioso que uma renovação sempre traz.'

Crendice de trampa. Mas é gira.

Quem (me) acaba o resto?

'Bela erva é o poejo, que faz a açorda aos ganhões.....'







'atrevam-se' a terminar a frase (cof cof cof)


Bom Domingo






Aurora Boreal


Tenho quarenta janelas

nas paredes do meu quarto.

Sem vidros nem bambinelas

posso ver através delas

o mundo em que me reparto.

Por uma entra a luz do Sol,

por outra a luz do luar,

por outra a luz das estrelas

que andam no céu a rolar.

Por esta entra a Via Láctea

como um vapor de algodão,

por aquela a luz dos homens,

pela outra a escuridão.

Pela maior entra o espanto,

pela menor a certeza,

pela da frente a beleza

que inunda de canto a canto.

Pela quadrada entra a esperança

de quatro lados iguais,

quatro arestas,

quatro vértices,

quatro pontos cardeais.

Pela redonda entra o sonho,

que as vigias são redondas,

e o sonho afaga e embala

à semelhança das ondas.

Por além entra a tristeza,

por aquela entra a saudade,

e o desejo,

e a humildade,

e o silêncio,

e a surpresa,

e o amor dos homens,

e o tédio,

e o medo,

e a melancolia,

e essa fome sem remédio

a que se chama poesia,

e a inocência,

e a bondade,

e a dor própria,

e a dor alheia,

e a paixão que se incendeia,

e a viuvez,

e a piedade,

e o grande pássaro branco,

e o grande pássaro negro

que se olham obliquamente,

arrepiados de medo,

todos os risos e choros,

todas as fomes e sedes,

tudo alonga a sua sombra

nas minhas quatro paredes.

Oh janelas do meu quarto,

quem vos pudesse rasgar!

Com tanta janela aberta

falta-me a luz e o ar.


António Gedeão

Bom fim de semana...


Semana Europeia de Prevenção do Cancro do Colo do Útero


20 a 26 de Janeiro de 2008
O cancro do colo do útero pode atingir qualquer mulher.

O colo do útero é a região final do útero, onde esta afunila para se ligar à vagina. Este cancro envolve o crescimento descontrolado das células que revestem o colo do útero. Embora possa pôr a vida da mulher em risco, a vigilância feita através do exame de Papanicolaou torna possível detectar este cancro na fase inicial, a tempo de ser tratado e curado. E agora que existe a vacinação, a maioria dos casos de cancro do colo do útero pode ser prevenido antes mesmo de se iniciar.
O cancro do colo do útero é causado pelo Papilomavírus Humano, ou HPV. Este vírus pode ser transmitido durante as relações sexuais, ou mesmo durante o contacto genital pele com pele, pelo que toda a mulher sexualmente activa está em risco de contágio.
Os preservativos podem reduzir o risco de infecção mas não a protegem totalmente contra o HPV. Isto porque a pele em torno da região genital, pode, também, conter o vírus.
. Até 80% das mulheres sexualmente activas serão infectadas por algum tipo de HPV, ao longo da sua vida;
. Felizmente, a maioria destas infecções desaparece de forma espontânea;
. No entanto, se a infecção não desaparecer pode evoluir para cancro.
Juntos, o rastreio e a vacinação oferecem a melhor protecção possível contra o cancro do colo do útero.
Lembra-te: pergunta ao teu médico o que é melhor para ti.
Nota: Papanicolaou ou citologia cervical é o exame preventivo do cancro do colo do útero.
Georgios Papanicolaou (1883-1962) médico grego-americano considerado o pai da citopatologia.
O exame consiste basicamente na colheita de material do colo uterino. É citológico, examina a morfologia das células da mucosa do colo do útero.

Pequeno Poema



Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...
Pra que o dia fosse enorme,bastava toda a ternura que olhava nos olhos de minha Mãe...

Sebastião da Gama (1924 - 1952)


A minha mãe está doente, incapacitada e a precisar de apoio, daquele apoio que só as pessoas iluminadas, conseguem dar.
Felizmente conheço pessoas iluminadas. Felizmente tenho amigos.
Beijo grande de melhoras rápidas Mãe.....e muita força e coragem para aturar o que a vida no fundo nos presenteia.
O ano de 2008 começou menos bem. Havemos de minimizar o problema.


Puta que pariu a Vida


CANÇÃO DA RUA DESERTA


Na viela anoiteceu rapidamente
Aquele rancho de crianças
Que brincavam - eram oito!
Sumiu-se... já não as vejo.
E não as oiço cantar
O giro-flé-giró-flá
Giro-flé da beira-mar.

Tão lindas! Tão pobrezinhas!
-Ó Diolinda!, Miguel!~
Ó Clementina!, Luzia!
Então o jantar?
Não ouvem?Tu não ouves, Lionel?,
Gritam as mães.
E a petizada
Numa corrida ligeira
Põe um fim na brincadeira...

Um silêncio perturbado
Pelo clarão momentâneo
De uma luz numa janela
Alastra e brilha amarelado,
Trémulo, fraco, indeciso...
Uma guitarra diz coisas
Na voz eterna do fado

-É o Chico do "Benfica"Que mora no 27
Da Rua do Paraíso.
Quando sai da oficina
E enquanto a mãe - a velhota,
Lhe prepara a paparoca,
Pega na banza e vai disto:

Afirmam que a vida é breve
Engano, a vida é comprida:
Cabe nela amor eterno
E ainda sobeja vida.

- O jantar está na mesa;
Deixa a sanfona, meu filho,
Olha que a sopa arrefece.
Diz-lhe a mãe, enternecida.
E o Chico senta-se à mesa
Indo arrumar com jeitinho
O "pianinho" da tristeza.

- Não falas?
Temos tragédia?
Mas o Chico não responde;
E mal acaba o jantar,
Vai-se deitar, sorrateiro...
E a mãe deita-se também
Depois de lavar os pratos
E de "abaixar " a torcida
No seu velho candeeiro...

Na viela a noite cai
Soturnamente cansada...
Ninguém passa, ninguém vem,
Ninguém se vê, ninguém sai...
Sombra, silêncio - mais nada!

Na baiuca da Celeste
O marido, - um entrevado,
Olha a mulher e os dois filhos
Numa expressão de abandono.
O mais pequeno adormece
Ao pé da mãe, e o mais velho
Que tem dez anos, também
Está cheinho de sono.

Comeram sardinhas fritas
E beberam água-pé;
Mas a mãe - pra rebater
Bebe um pouco de café.

Um som baço de cantiga
Paira e sobe diluído
No silêncio da viela...
No céu não brilha uma estrela

O guarda nocturno passa
E passa a mão com violência
P'la porta do carvoeiro.
Tilintam as chaves.
Palmas...

- Lá vai!
É o Zé Fragateiro
Pelo bater da mãozada.
E a noite cai -
e o silêncio...
Só o silêncio, mais nada...

A roupa do marinheiro
Não é lavada no rio;
É lavada n o mar alto
À sombra do seu navio.

- Ena!, saíu-se a Rosário!
Coitada, embala o miúdo

Um petiz de quinze meses,
E canta a pensar no pai
O seu amado Guilherme
Que é fogueiro no "Gil Eanes".

E a noite cai mais sombria;
Não há rumor de ninguém...
E tarda a romper o dia!

ANTÓNIO BOTTO
Tenho guardado, religiosamente um disco em vinil com este poema dito pelo João Villaret. É uma pérola rara. Linda Linda. Pena não conseguir meter aqui som.

Hoje estou que não me entendo....

Longe do Mundo