Cíúme
Finje que foste comprar tabaco e que voltaste agora.
Como assim?
Já te disse, finje que foste comprar tabaco e que voltaste agora.
Já comeste?
Comi.
Comeste o quê?
Duas sandes de atum.
Afinal estás a beber. Prometeste que não bebias mais a partir do dia 1.
Pois, pois.
Até tinha medo de voltar para casa eu. Já esperava esta merda. Eu sabia.
É apenas mais alguma coisa que se quebra.
Mandei-te 1 mensagem a avisar.
Mensagens mandam-se aos cães.
Pois...a ti eu telefono.
Não percebi que não vinhas dormir a casa e na manhã seguinte fui ler de novo a mensagem. Aí percebi que não vinhas dormir a casa. Mas ninguém sai de casa num dia, para ir 'variar,' e, volta no dia seguinte ás 8 da noite.
Pois, devia ter voltado depois do meio dia que é quando temos que sair do Hotel não é?
Não sei. Não quero saber. Não me contes. Não tenho nada que ver com a tua vida nem quero ter. Aliás, nunca mais saio contigo a lado nenhum. Ninguém 'caga´em mim como tu 'cagas'.
Afinal queres saber.
Não quero saber. Não me contes.
Estás magoado tu. Estás ferido de morte.
Ahhhhhh agora que percebeste que as coisas estão a dar para o torto vens com 'mamas de cão'. Não adianta vires com 'mamas de cão', porque já não adianta nada.
Afinal já não somos companheiros? Já não vamos morrer no mesmo dia?
Claro que não. Isso já foi...
Publicada por guida em quarta-feira, janeiro 09, 2008 4 comentários
(para a Guida)
“Tenho a mania dos dramas”, disse-me ela, depois de me ter dito outras coisas, dessas que a gente ouve como se estivesse à conversa com os nossos próprios pensamentos.Eu não lhe disse que também tenho, não era preciso. Nem lhe disse que de poeta também só tenho a alma. Nem lhe disse que também me fui tornando exigentemente selectiva quando chega o momento de entregar uma chave de mim. Às vezes não é preciso dizermos nada. Às vezes outra mulher pode ser o espelho de nós mesmas, ou melhor, a imagem aperfeiçoada de nós mesmas. Às vezes com outra mulher podemos baixar as defesas e mostrar o medo e a celulite, a cobardia e os cabelos brancos, a insegurança e as mamas descaídas.Espreitei-lhe os gestos e o perfil enquanto fumávamos na varanda, enroladas na velha manta de lã. Adivinhei-lhe os contornos escondidos, escutei-lhe o silêncio. Estendi-lhe a minha mão fria e vazia e ela guardou-a no seu corpo quente.Depois, sem beijos nem carícias, as duas percebemos que de tão pouco se fazem os momentos de serenidade.
Mais um mimo que me ofereço de novo. Texto da amiga Rosa , colega Bloguista de a Funda São, que escreve com aquela massa de que é feito o poeta.
Daqui lhe desejo um novo ano de 2008, cheio de esperança.
Com a devida vénia.
Publicada por guida em sexta-feira, janeiro 04, 2008 0 comentários
Etiquetas: Amizade
Publicada por guida em quinta-feira, janeiro 03, 2008 2 comentários
Com licença poética
Quando nasci
um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta,
anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e ora sim,
ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo.
Cumpro a sina.
Inauguro linhagens,
fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida
é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável.
Eu sou.
Adélia Prado
Publicada por guida em quinta-feira, janeiro 03, 2008 0 comentários
Etiquetas: Poesia
Dona Doida
Uma vez, quando eu era menina,
choveu grosso
com trovoadas e clarões,
com trovoadas e clarões,
exatamente como chove agora.
Quando se pôde abrir as janelas,
as poças tremiam com os últimos pingos.
Minha mãe,
Quando se pôde abrir as janelas,
as poças tremiam com os últimos pingos.
Minha mãe,
como quem sabe que vai escrever um poema,
decidiu inspirada: chuchu novinho,
decidiu inspirada: chuchu novinho,
angu, molho de ovos.
Fui buscar os chuchus
Fui buscar os chuchus
e estou voltando agora,
trinta anos depois.
trinta anos depois.
Não encontrei minha mãe.
A mulher que me abriu a porta,
A mulher que me abriu a porta,
riu de dona tão velha,
com sombrinha infantil
com sombrinha infantil
e coxas à mostra.
Meus filhos me repudiaram envergonhados,
meu marido ficou triste até a morte,
eu fiquei doida no encalço.
Só melhoro quando chove.
Meus filhos me repudiaram envergonhados,
meu marido ficou triste até a morte,
eu fiquei doida no encalço.
Só melhoro quando chove.
Adélia Prado
Publicada por guida em quinta-feira, janeiro 03, 2008 0 comentários
Etiquetas: Poesia
«Um dia, talvez quando chegar o inverno, vou contar-te as minhas histórias. Com a tua ajuda. Escolhes uma das minhas rugas e começamos por aí. Primeiro as dos olhos. Depois aquelas duas que tenho no canto dos lábios e que me esmorecem a expressão quando não estou a sorrir. Depois, se quiseres, passamos para a flacidez da pele, e logo a seguir para os resultados da gravidade, de todo o peso que já carreguei nos ombros e no peito.
Despir-me-ei para ti. Toda.
Se quiseres, paramos um pouco e fazemos amor. Vai estar frio porque escolhi o inverno e vai apetecer-nos ficar na cama todo o dia, de janela fechada, arfantes por respirar o ar cansado e suado.
E se entretanto te apaixonares por mim, vou fingir que não reparo para não te constranger, e dou-te um beijo, desses inteiros que são teus, antes de adormecermos por instantes».
Despir-me-ei para ti. Toda.
Se quiseres, paramos um pouco e fazemos amor. Vai estar frio porque escolhi o inverno e vai apetecer-nos ficar na cama todo o dia, de janela fechada, arfantes por respirar o ar cansado e suado.
E se entretanto te apaixonares por mim, vou fingir que não reparo para não te constranger, e dou-te um beijo, desses inteiros que são teus, antes de adormecermos por instantes».
http://rosapurarosa.blogspot.com/ , com a devida vénia.
Publicada por guida em terça-feira, janeiro 01, 2008 0 comentários
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