(para a Guida)


“Tenho a mania dos dramas”, disse-me ela, depois de me ter dito outras coisas, dessas que a gente ouve como se estivesse à conversa com os nossos próprios pensamentos.Eu não lhe disse que também tenho, não era preciso. Nem lhe disse que de poeta também só tenho a alma. Nem lhe disse que também me fui tornando exigentemente selectiva quando chega o momento de entregar uma chave de mim. Às vezes não é preciso dizermos nada. Às vezes outra mulher pode ser o espelho de nós mesmas, ou melhor, a imagem aperfeiçoada de nós mesmas. Às vezes com outra mulher podemos baixar as defesas e mostrar o medo e a celulite, a cobardia e os cabelos brancos, a insegurança e as mamas descaídas.Espreitei-lhe os gestos e o perfil enquanto fumávamos na varanda, enroladas na velha manta de lã. Adivinhei-lhe os contornos escondidos, escutei-lhe o silêncio. Estendi-lhe a minha mão fria e vazia e ela guardou-a no seu corpo quente.Depois, sem beijos nem carícias, as duas percebemos que de tão pouco se fazem os momentos de serenidade.
Mais um mimo que me ofereço de novo. Texto da amiga Rosa , colega Bloguista de a Funda São, que escreve com aquela massa de que é feito o poeta.
Daqui lhe desejo um novo ano de 2008, cheio de esperança.
Com a devida vénia.

Promessa


Não desanimes por me veres ao lado

Triste como um ribeiro que secou.

Isto passa.

Podes ter a certeza.

Basta o degelo começar...

O poeta é uma graça

Da natureza,

Há-de sempre cantar.

Arranja pois as jarras da alegria,

E vai sonhando já dos meus desleixos...

Eu volto a rolar seixos

Qualquer dia.



(Miguel Torga)


Óleo sobre Tela, Dordio Gomes

Dobadeira, Desenho de Vasco Calado
















Com licença poética

Quando nasci
um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta,
anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e ora sim,
ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo.
Cumpro a sina.
Inauguro linhagens,
fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida
é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável.


Eu sou.


Adélia Prado

Dona Doida

Uma vez, quando eu era menina,

choveu grosso
com trovoadas e clarões,

exatamente como chove agora.
Quando se pôde abrir as janelas,
as poças tremiam com os últimos pingos.
Minha mãe,

como quem sabe que vai escrever um poema,
decidiu inspirada: chuchu novinho,

angu, molho de ovos.
Fui buscar os chuchus

e estou voltando agora,
trinta anos depois.

Não encontrei minha mãe.
A mulher que me abriu a porta,

riu de dona tão velha,
com sombrinha infantil

e coxas à mostra.
Meus filhos me repudiaram envergonhados,
meu marido ficou triste até a morte,
eu fiquei doida no encalço.
Só melhoro quando chove.


Adélia Prado



«Um dia, talvez quando chegar o inverno, vou contar-te as minhas histórias. Com a tua ajuda. Escolhes uma das minhas rugas e começamos por aí. Primeiro as dos olhos. Depois aquelas duas que tenho no canto dos lábios e que me esmorecem a expressão quando não estou a sorrir. Depois, se quiseres, passamos para a flacidez da pele, e logo a seguir para os resultados da gravidade, de todo o peso que já carreguei nos ombros e no peito.
Despir-me-ei para ti. Toda.
Se quiseres, paramos um pouco e fazemos amor. Vai estar frio porque escolhi o inverno e vai apetecer-nos ficar na cama todo o dia, de janela fechada, arfantes por respirar o ar cansado e suado.
E se entretanto te apaixonares por mim, vou fingir que não reparo para não te constranger, e dou-te um beijo, desses inteiros que são teus, antes de adormecermos por instantes».
http://rosapurarosa.blogspot.com/ , com a devida vénia.

Os mistérios de Fátima

No outro dia fui visitar a nova Igreja do Espírito Santo, em Fátima. A primeira foto é de uma das 12 imponentes portas que a compõem. A segunda foto é de um dos parques de estacionamento para os 'peregrinos' que se encontram á volta do santuário. Não consigo explicar porque fiquei com uma azia ligeira, quando li umas das suas inscrições. Ora reparem lá.

Epitáfio

«Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, Não há nada mais simples. Tem só duas datas – a da minha nascença e a da minha morte. Entre uma e outra coisa todos os dias foram meus».
Alberto Caeiro

Tenho para mim que não chego aos 50 anos. Pensamento de merda no primeiro dia do ano. Em todo o caso, qualquer dia é bom para se terem pensamentos de merda.
Frequentemente me assalta a ideia da morte. Tenho que confessar que não me agrada nada e que me mete um mêdo, difícil de definir, até para mim, que o sinto.
Frequentes vezes vou dizendo que quero ser cremada. Dizendo não chega porque até a morte temos que pagar e uma cremação custa muito dinheiro. Bem, quando eu morrer e for cremada, quero que coloquem este epitáfio dentro da caixinha com as minhas cinzas. A seguir podem lançar ao mar ou ao vento tanto faz.
Se eu não contar isto a ninguém, como poderá esta minha última vontade ser cumprida?
Penso nisto mais tarde.

Sem Fim






Há cerca de 2 anos, a propósito do casamento de um familiar, fui almoçar ao Restaurante Bar Sem Fim, que fica numa pequena Aldeia do Alentejo, mesmo no sopé de Monsaraz http://www.sem-fim.com/, numa das paredes do quintal/esplanada, retirei de lá esta mensagem:


- «Trago-te na minha vida, como quem escuta os passos musicais do tempo. Como as manhãs tocam a paisagem.» (V.M.S.)


Achei linda. Vejam umas fotos que tirei nesse dia e se puderem façam uma visita. A Gerência agradece e o Alentejo também.

1º. Dia



Ás 12 badaladas da meia noite de ontem brindei contigo como havíamos combinado. O meu primeiro desejo foste tu. O segundo também. Seguro ainda na língua o sabor do teu beijo. Guardo o teu perfume nos meus sentidos. Sinto as tuas mãos no meu rosto. A meio do brinde, perdi-me nos pedidos e comi as passas todas ao mesmo tempo. Pedi saúde para todos os que amo. Alguns pediram trabalho e dinheiro. Um disse: -«Trabalho para quê?? Se saúde e dinheiro já....».
Hoje é o primeiro dia do ano e levantei-me cedo como sempre. Bebi café. Lembrei-me do teu cheiro. Fumei uma dúzia de cigarros já. Lembro-me de outras passagens de anos mais ternas. Não quero falar sobre isso agora. Cumpriu-se o calendário. Para o ano logo se vê.

Signos Xamânicos (O auto-conhecimento com dez mil anos de história)


'Para a tradição xamânica, cada animal corresponde a um totem ou símbolo mágico, determinado pela data de nascimento. Praticado há 1o mil anos, o xamanismo surgiu na Sibéria, entre as tribos nómadas de diversas etnias. O xamã, que assumia o papel de mago ou sacerdote, era um especialista na alma humana. Através de transes místicas, curava doenças, acompanhava os espíritos ao «reino das trevas» e servia de medidor entre os dois mundos. Aos nossos dias chegou um horóscopo que revela os seus maiores talentos e as principais dificuldades a superar. Tudo assente na sabedoria milenar.'
*texto de Ana Catarina Pereira, publicado na revista Happy, deste mês.
Assim, fiquei a saber que o meu signo xamânico é este:
URSO PARDO: A Perfeccionista (21 de Agosto a 20 de Setembro)
Independência e Perfeccionismo são as principais características das mulheres nascidas sob este totem. Permanentemente atentas aos pormenores, são muito observadoras e extremamente exigentes (consigo e com os outros).Profissionalmente, as mulheres deste totem possuem uma inteligência analítica que lhes permite desempenhar cargos de liderança com grande eficácia. Seguem muitas vezes carreiras ligadas ao ensino, uma vez que são oradoras brilhantes, com apetências pedagógicas e uma boa capacidade para detectar e corrigir erros. Nas diversas áreas em que actuam, demonstram perseverança, cooperação e justiça. Com frequência, manifestam ternura e sensibilidade, embora analisem demasiado as relações, o que as faz perder espontaneidade. É difícil guardar um segredo de uma mulher Urso Pardo, uma vez que são detentoras de uma mente penetrante, embora elas próprias não costumem revelar os seus sentimentos. Apesar de resolverem eficazmente os problemas da vida quotidiana, olham demasiado para o passado, vivendo fases de melancolia e amargura. Necessitam muitas vezes de «hibernar», uma vez que o recolhimento lhes restitui a doçura e a harmonia interior.
Sexualmente, têm tendência a reprimir desejos e fantasias, por não conseguirem contrariar a sua faceta moralista. São compatíveis com Ganso e Castôr.
TRIUNFO DO PRESENTE: A mulher Urso Pardo deve viver mais o presente e pensar apenas no futuro. Os problemas do passado não podem continuar a servir de justificação para todos os momentos de melancolia.
O que me vale é que amo um Falcão Vermelho e tenho ascendente em Salmão, senão estava frita ó ó.

Vícios Privados?


Fumadores contra o fundamentalismo e descriminação da nova lei

http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/Et2H%2F7mytlnKlpsTWPdPOA.html

Manifesto do Fumador

É permitido fumar:

- nas casas de banho das nossas casas, nos nossos quartos, nos vãos de escada particulares, nas garagens privadas, nos automóveis privados, em frente ao computador, por detraz do computador, debaixo do computador, debaixo da secretária, á mesa da cozinha, da sala, do escritório, no sofá, na cama, á janela do nosso quarto e em todas as janelas da casa, perto das flôres (que serão obrigatóriamente fumadoras também), perto do aquário, porque os peixes obviamente também fumam, no degrau da nossa porta, em jejum ('jum natural') com o café, durante o café e a seguir ao café, em todos os momentos em que tenhamos as mãos desocupadas (pelo menos uma delas), se tivermos as duas ocupadas é permitido fumar como o gajo (H.Bogart) da foto. É ainda permitido fumar em todos os sítios ás escondidas e que tenham saída de fumos não importa para onde, na praia desde que o vento não atire o fumo para a cara do vizinho não fumador. Na piscina, com as mesmas objecções. Na banheira da nossa casa. No lavatório. Dentro do roupeiro. Em cima do roupeiro. Na sanita, com leitura ou sem leitura.
É permitido ainda Pensar em fumar em todos os locais não mencionados neste post.
Viva a Liberdade de Pensamento dos Fumadores!
É urgente um 25 de Abril para os Fumadores!
É urgente criar um sindicato dos Fumadores!


PSzito: Porra! Não há pachorra para tanta castração! Não há cú que aguente já....tudo o que é demais enjoa. Tenho para mim que esta Lei não vai ser nada Erótica. Os não fumadores que me desculpem o desabafo. Eu sou Fumadora! (para o bem e para o mal).

Mentes Primitivas?


Este texto foi divulgado em diversas listas de email na Internet. Apesar de não ter sido possível determinar a sua origem, aqui fica para pasmação, ou não, de todos os nossos leitores e amigos.


Recentemente, uma célebre animadora de rádio dos EUA afirmou que a homossexualidade era uma perversão: "É o que diz a Bíblia no livro do Levítico, capítulo 18, versículo 22: 'Tu não te deitarás com um homem como te deitarias com uma mulher: seria uma abominação'. A Bíblia refere assim a questão. Ponto final.", afirmou ela.


Alguns dias mais tarde, um ouvinte dirigiu-lhe uma carta aberta que dizia:

"Obrigado por colocar tanto fervor na educação das pessoas pela Lei de Deus. Aprendo muito ouvindo o seu programa e procuro que as pessoas à minha volta a escutem também. No entanto, eu preciso de alguns conselhos quanto a outras leis bíblicas. Por exemplo, eu gostaria de vender a minha filha como serva, tal como nos é indicado no Livro do Êxodo, capítulo 21, versículo 7. Na sua opinião, qual seria o melhor preço?


O Levítico também, no capítulo 25, versículo 44, ensina que posso possuir escravos, homens ou mulheres, na condição que eles sejam comprados em nações vizinhas. Um amigo meu afirma que isto é aplicável aos mexicanos, mas não aos canadianos. Poderia a senhora esclarecer-me sobre este ponto? Por que é que eu não posso possuir escravos canadianos?


Tenho um vizinho que trabalha ao sábado. O Livro do Êxodo, capítulo 25, versículo 2, diz claramente que ele deve ser condenado à morte. Sou obrigado a matá-lo eu mesmo? Poderia a senhora sossegar-me de alguma forma neste tipo de situação constrangedora?


Outra coisa: o Levítico, capítulo 21, versículo 18, diz que não podemos aproximar-nos do altar de Deus se tivermos problemas de visão. Eu preciso de óculos para ler. A minha acuidade visual teria de ser de 100%? Seria possível rever esta exigência no sentido de baixarem o limite?


Um último conselho. O meu tio não respeita o que diz o Levítico, capítulo 19, versículo 19, plantando dois tipos de culturas diferentes no mesmo campo, da mesma forma que a sua esposa usa roupas feitas de diferentes tecidos: algodão e polyester. Além disso, ele passa os seus dias a maldizer e a blasfemar. Será necessário ir até ao fim do processo embaraçoso que é reunir todos os habitantes da aldeia para lapidar o meu tio e a minha tia, como prescrito no Levítico, capítulo 24, versículos 10 a 16? Não se poderia antes queimá-los vivos após uma simples reunião familiar privada, como se faz com aqueles que dormem com parentes próximos, tal como aparece indicado no livro sagrado, capítulo 20, versículo 14?
Confio plenamente na sua ajuda."
Há coisas fantásticas não há?

Dedicado especialmente à Guida

Esta tira está publicada num Blog amigo em que participo http://afundasao.blogspot.com/. A amiga São Rosas decidiu dedicar-me um dia destes e hoje que é o primeiro dia do ano resolvi oferecer-me a mim mesma
Vénia ao John and John e á São Rosas que as publica e traduz com a mestria a que já nos habituou ao longo dos tempos.